Da diversidade de perguntas que os crescidos fazem aos mais pequeninos, é habitual ouvirmos “O que queres ser quando fores grande?”. A resposta é, na maioria das vezes, cheia de certezas. Certezas de querer ser polícia ou bombeiro, para os meninos e professora ou bailarina, para as meninas. Alguns anos depois, as certezas transformar-se-ão em dúvidas. Alguns, por casualidade, até acertam. Outros, nem por isso. Contudo, esta decisão vai condicionar todo o nosso futuro que, naquela idade, pouco ou nada nos preocupa. O centro do mundo são os nossos amigos e quantas vezes vamos arrastados pelas suas escolhas. Há alguns anos atrás, a Escola Secundária de Macedo de Cavaleiros, organizou um encontro de profissões. Tinha como destinatários os alunos de 11.º ano e convidaram profissionais de diversas áreas. Recordo que, os alunos percorriam em grupo, as diferentes “profissões”. Faziam as perguntas que queriam e demoravam o tempo que precisavam. Durante algumas horas, senti orgulho em falar da minha profissão. Voltei ao liceu e a viver as mesmas dúvidas. Agora com outra tranquilidade. As dificuldades sentidas pelos alunos na escolha do curso, não necessariamente da profissão, vão-se repetindo ao longo da vida. As opções nem sempre nos são dadas a conhecer, teremos que as procurar. Cada vez com mais atenção e perspicácia porque teremos que ser mais competitivos. Ainda bem que assim é! Obriga-nos a lutar pelos nossos objectivos e a sermos persistentes. Tem também o “reverso da medalha”. A busca pela perfeição leva-nos à insatisfação de não sermos perfeitos. É dramático procurar, lutar e não conseguir. É ainda pior quando somos jovens e todos os nossos amigos conseguiram. Em plena época de exames de 12.º ano, o ideal mesmo é estudar. As férias estão quase a chegar. Depois, o ciclo repete-se, até começarem a trabalhar. Talvez possam voltar e recordar que um dia, viveram por ali, um encontro de profissões.